As As MPEs precisam ((micro e pequenas empresas) enfrentam um período que exige gestão mais rigorosa. A economia cresce em ritmo moderado, abaixo do registrado no ano passado, e o crédito permanece caro. Nesse contexto, a prioridade deve ser revisar despesas, preservar caixa e melhorar a eficiência operacional.
O aumento dos pedidos de proteção judicial reforça o alerta. Levantamentos divulgados pela imprensa indicam alta de 41,4% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025, entre empresas que buscaram a Justiça para evitar a falência. Entre médias e grandes empresas, o crescimento foi de 21,2%. A diferença mostra que o ambiente pesa mais sobre os negócios de menor porte.
O crédito é uma das principais restrições. MPEs normalmente têm menos garantias, menor histórico bancário, menor poder de negociação e acesso mais limitado a linhas com custo adequado. Médias e grandes empresas contam com mais instrumentos, maior volume de recursos e relações financeiras mais consolidadas. Essa diferença amplia o efeito dos juros altos sobre os pequenos negócios.

Também há um problema estrutural. MPEs e microempreendedores individuais representam entre 90% e 95% das organizações produtivas e respondem por cerca de um terço do PIB. Mesmo assim, entre 5% e 10% das empresas, formadas por médias e grandes, concentram aproximadamente 70% da riqueza produzida. Essa assimetria reduz a margem de erro dos empreendedores de menor porte.
Diante desse quadro, o caminho mais prudente é agir com método. O empresário deve revisar custos, separar despesas essenciais das dispensáveis, renegociar compromissos quando possível e acompanhar o fluxo de caixa com maior frequência. Também deve avaliar apoio técnico, usar tecnologia para simplificar processos e buscar ganhos reais de produtividade.
O último trimestre exige atenção especial. Para muitas empresas, esse período define o resultado do ano e prepara a entrada em 2027. Encerrar o exercício com margens preservadas, caixa organizado e decisões baseadas em dados aumenta a capacidade de enfrentar um cenário ainda incerto.
As MPEs continuam essenciais para o emprego, a renda e o desenvolvimento local. Justamente por isso, precisam de políticas públicas adequadas e de gestão interna disciplinada. O momento exige sobriedade: controlar custos, proteger o caixa e tomar decisões com base em informações objetivas.
Ercílio Santinoni
Presidente da Conampe



