
Quando uma empresa pede crédito, como um empréstimo ou financiamento, o banco nem sempre conhece bem a sua realidade. Isso acontece porque o empreendedor sabe mais sobre sua situação do que quem está emprestando o dinheiro. Esse “desencontro de informações” pode dificultar o acesso ao crédito ou deixar as condições mais caras. O Cadastro Positivo (CP) surgiu em 2011 com o objetivo de reduzir essa assimetria e dar mais transparência ao mercado de crédito. Ele funciona como um histórico financeiro, reunindo informações sobre o comportamento de uma empresa (ou pessoa) com relação ao pagamento de suas contas.
Além das dívidas em atraso, que já eram registradas há muito tempo, o Cadastro Positivo mostra também o lado bom: contas pagas em dia, como energia, água, telefone e financiamentos. Isso ajuda a mostrar que a empresa é organizada financeiramente, mesmo que ainda sem muito histórico com bancos, permitindo que a análise de crédito possa se basear em contas mais comuns.
Em 2019, o Cadastro Positivo ficou mais simples e mais amplo. Antes, era preciso solicitar a entrada no sistema. Hoje, todas as empresas já fazem parte automaticamente, mas podem pedir para sair, se quiserem. Essa mudança facilitou o uso e aumentou os benefícios. Tecnicamente, no modelo inicial, chamado de “opt-in”, empresas e consumidores tinham que optar por entrar no Cadastro Positivo, o que tornava a adesão mais burocrática e esbarrava no conhecimento ainda limitado sobre os benefícios desse instrumento. Em 2019, por meio da Lei Complementar 166, o Cadastro Positivo passou a operar no modelo de “opt-out”: todos os consumidores e empresas foram incluídos no banco de dados do CP, podendo optar a qualquer momento pela saída.
Na prática, isso significa que empresas com bom histórico de pagamento podem conseguir melhores condições de crédito. Um estudo do Banco Central de 2025 mostrou que quem está no Cadastro Positivo pode pagar juros menores, com redução média de cerca de 3%, podendo chegar a quase 9% para quem tem melhor avaliação.
Para os pequenos empreendedores, isso faz muita diferença. Com um bom histórico, fica mais fácil conseguir capital de giro, investir no negócio ou negociar melhores prazos e taxas.
O Cadastro Positivo também ajuda na gestão do próprio negócio. Empresas que vendem a prazo podem usar essas informações para avaliar melhor seus clientes e reduzir o risco de inadimplência.
As informações positivas são usadas também para calcular a nota de crédito, associado a outros critérios. Quanto melhor essa nota, maiores as chances de conseguir crédito com boas condições. Ou seja, o Cadastro Positivo é mais uma entre as diversas fontes utilizadas para o cálculo dessa nota, cada vez mais importante e precisa para as decisões de crédito.
A recomendação é garantir que a empresa e os sócios façam parte do Cadastro Positivo.
Para acessar e acompanhar as informações da própria empresa no CP, os responsáveis legais podem acessar os portais dos birôs de crédito e fazer login.
No fim das contas, o Cadastro Positivo funciona como um incentivo à organização financeira. Quem paga suas contas em dia passa a ser reconhecido por isso e pode ter acesso a melhores oportunidades para crescer. Ao premiar o bom comportamento financeiro, esse instrumento faz algo que vai além de reduzir assimetrias informacionais: ajuda a promover uma mudança cultural, criando incentivos para a pontualidade nos pagamentos e fortalecendo a disciplina do crédito por meio da transparência e confiança.
Saiba mais no site da ANBC – https://anbc.org.br/




