CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS E EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS

NOTÍCIA

O crédito ficou mais digital: o avanço pode ajudar as MPEs

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Elias sfeir anbc ass 1

Nos últimos anos, a vida financeira ficou mais digital. Muitas decisões que antes dependiam de agência, papelada e longas esperas podem ser feitas pelo celular: pagar, receber, transferir, comparar propostas e até buscar crédito, ou seja, a vida financeira está na palma da mão, em qualquer smartphone.

Para micro e pequenas empresas, essa mudança é muito importante. Afinal, quem empreende precisa de soluções simples, rápidas, seguras e com menor custo. No Brasil, um dos exemplos mais claros dessa transformação é o PIX. Em pouco tempo, ele passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros, permitindo pagamentos e transferências instantâneas, a qualquer hora do dia. Para as MPEs, isso significa mais agilidade no caixa, redução de custos operacionais e facilidade para vender.

Esta evolução foi desenhada, combinando tecnologia, inovação e regulação. E, com facilidade e praticidade, atualmente mais de 80% da população já utilizam o PIX no país.

O Banco Central criou regras que permitiram o surgimento de novos tipos de empresas financeiras, como as instituições de pagamento e as fintechs. As fintechs são empresas que atuam em diversos segmentos dos serviços financeiros, como crédito, seguros, investimentos, meios de pagamento, entre outros. As instituições de pagamento oferecem serviços como contas digitais, pagamentos e transferências. Já as fintechs usam tecnologia para entregar soluções financeiras de forma mais simples e digital, em áreas como crédito, seguros, investimentos e meios de pagamento.

No crédito, existem fintechs autorizadas a atuar de formas diferentes. Algumas emprestam recursos próprios para empresas. Outras conectam investidores que têm dinheiro disponível a empresas que precisam de financiamento. Na prática, isso aumenta as alternativas para quem busca capital para crescer, comprar estoque, investir em equipamentos ou organizar o fluxo de caixa.

Para as micro e pequenas empresas, é importante conhecer os tipos de fintechs autorizadas pelo Banco Central para o segmento crédito, que são: as Sociedades de Crédito Direto (SCD), que utilizam recursos próprios para fazer empréstimos a empresas; e as Sociedades de Empréstimos entre Pessoas (SEP), que conectam investidores com capital disponível para emprestar e tomadores de recursos.
Dados divulgados pela Associação Brasileira de Crédito Digital e pela PwC mostram que, do total de clientes PJ das fintechs, 71,7% é de micro e pequenas empresas, ou seja, a tecnologia financeira já faz parte da realidade dos pequenos negócios.

Outro avanço importante foi o surgimento de marketplaces e comparadores de crédito. Essas plataformas permitem consultar diferentes ofertas de empréstimos e financiamentos em um só lugar. Para o empreendedor, isso facilita a comparação de taxas, prazos e condições antes de tomar uma decisão.

O pequeno negócio que opta por dar mais visibilidade às suas informações de crédito e de relacionamento com o sistema financeiro aumenta as possibilidades de redução do custo de crédito, afinal, quanto melhor a empresa mostra seu histórico financeiro, maiores podem ser suas chances de obter crédito em condições mais adequadas.

É aqui que entram duas ferramentas importantes: o Cadastro Positivo e o Open Finance. As duas atuam forma complementar.

O Cadastro Positivo é reúne informações sobre o histórico de pagamentos de consumidores e empresas. Ele ajuda a mostrar o comportamento do tomador de crédito inclusive se a empresa paga suas contas em dia. Para uma MPE com bom comportamento financeiro, isso pode ser uma vantagem na hora de buscar crédito. As mudanças introduzidas no Cadastro Positivo criaram o modelo de “opt-out”. Nesse modelo, todos os consumidores e empresas foram incluídos no banco de dados com a opção de sair. Antes disso, era necessário optar por entrar no banco de dados. No próximo artigo, serão apresentados mais detalhes sobre o funcionamento do Cadastro Positivo.

Já o Open Finance permite que o cliente compartilhe suas informações financeiras com outras instituições e inicie transações fora do aplicativo do seu próprio banco, sempre mediante autorização. Isso pode ajudar bancos, fintechs e outras empresas a conhecer melhor a realidade financeira do negócio e oferecer soluções mais compatíveis com o perfil.

Na prática, essas ferramentas ajudam a reduzir a “falta de informação” no mercado de crédito. E quando quem empresta conhece melhor quem toma o crédito, o risco pode ser avaliado com mais precisão. Isso favorece propostas mais justas, mais concorrência e mais inclusão financeira.

Para as micro e pequenas empresas, a mensagem principal é simples: o crédito também ficou digital. E saber usar bem as novas ferramentas pode abrir caminhos para mais acesso, melhores condições e mais oportunidades de crescimento.

Reforça-se, então, o papel da tecnologia como aliada na expansão do crédito e no incentivo à competição dos serviços financeiros, o que contribui para maior inclusão dos pequenos negócios e redução do custo de crédito. Empresas que organizam suas informações, acompanham seu histórico, comparam opções e autorizam o compartilhamento de dados de forma consciente tendem a estar mais preparadas para acessar crédito de maneira responsável.

Em resumo, a digitalização do crédito pode ajudar as MPEs a transformar informação em oportunidade, histórico em confiança e acesso financeiro em crescimento sustentável.

Saiba mais no site da ANBC