CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS E EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS

NOTÍCIA

Opinião: Brasil, um país abençoado, diante de um futuro que nos preocupa

O Brasil é, sem dúvida, um país abençoado pela Natureza e por Deus. É uma nação continental, rica em água, minerais e terras férteis. Produz, em muitas regiões, duas ou até três safras agrícolas por ano, possui uma das maiores extensões de litoral do mundo e alimenta, por meio de suas exportações, milhões de pessoas em todos os continentes.

É também um país de encontros. Aqui convivem diferentes povos, culturas e tradições. Judeus e Árabes, Russos e Ucranianos, Italianos, Japoneses e tantos outros encontraram no Brasil um lugar para viver, trabalhar e construir suas histórias. Somos, inclusive, o país que abriga a maior comunidade japonesa fora do Japão e uma das maiores comunidades italianas fora da Itália. Essa extraordinária miscigenação fez do Brasil uma nação singular, plural e admirada em diferentes partes do mundo.

A riqueza que não se transforma em prosperidade

Mas o País que recebeu tantas bênçãos da Natureza parece, hoje, incapaz de transformar toda essa riqueza em prosperidade para sua própria população. A realidade brasileira é preocupante. Convive-se com uma das mais elevadas cargas tributárias, juros entre os maiores do mundo, corrupção em diferentes níveis da administração pública, desigualdade social persistente e uma crescente descrença nas instituições.

O Judiciário, para grande parte da população, perdeu credibilidade. O Congresso Nacional é frequentemente visto como um espaço onde interesses pessoais e partidários se sobrepõem aos verdadeiros interesses da sociedade. E as emendas parlamentares, que deveriam representar instrumentos de desenvolvimento e atendimento às necessidades dos municípios, tornaram-se alvo de questionamentos quanto à sua transparência e utilização.

Enquanto isso, empresas fecham as portas, outras recorrem à recuperação judicial e milhões de brasileiros continuam enfrentando dificuldades para sobreviver com dignidade.

Diante desse cenário, a perspectiva para 2027 não é animadora. As eleições de 2026 deveriam representar uma oportunidade de renovação, esperança e reconstrução. Entretanto, o quadro político que se desenha até o momento não permite muito otimismo.

A renovação da Câmara dos Deputados, por exemplo, poderá ser pequena. O sistema de distribuição das emendas parlamentares criou uma relação de dependência entre parlamentares e administrações municipais, fazendo com que muitos prefeitos mantenham compromissos com os atuais Deputados. Isso dificulta a entrada de novos nomes e reduz a possibilidade de uma verdadeira renovação política.

Os próprios partidos parecem, muitas vezes, mais preocupados em eleger bancadas numerosas para ampliar sua participação no Fundo Partidário do que em apresentar ao eleitor projetos consistentes para o futuro do País.

Um país abençoado

O voto consciente e a busca por um estadista

E chegamos ao ponto mais delicado: a escolha de quem deverá governar o Brasil. Os nomes que hoje polarizam a disputa presidencial apresentam altos índices de rejeição e carregam consigo histórias políticas marcadas por profundas controvérsias. A sociedade permanece dividida, muitas vezes votando mais contra alguém do que propriamente a favor de um projeto de País. Foi isso, em grande medida, que ocorreu em 2018, quando Jair Bolsonaro conseguiu construir sua candidatura como uma alternativa ao chamado “anti-Lula”.

Mas o Brasil não pode continuar escolhendo seus Presidentes apenas pelo sentimento de rejeição a alguém. Precisamos escolher pelo que queremos construir.

O Brasil necessita de um Presidente íntegro, com autoridade moral, preparo administrativo e compromisso verdadeiro com a democracia. Um líder capaz de compreender que o desenvolvimento econômico não é um fim em si mesmo, mas um instrumento para promover justiça social, oportunidades e dignidade.

Precisamos de alguém que não roube e que não permita roubar. Que respeite as instituições, mas que também tenha coragem para corrigir seus erros. Que saiba dialogar, pacificar e unir uma sociedade cansada de confrontos. Precisamos, enfim, de um estadista.

Não podemos avaliar um candidato apenas por seus discursos. É preciso conhecer sua trajetória, seus princípios, suas realizações e também aqueles que caminham ao seu lado. No grupo político ligado a Jair Bolsonaro, por exemplo, diversos integrantes de sua própria família ocupam ou disputam cargos públicos em diferentes Estados. Da mesma forma, a trajetória política de Luiz Inácio Lula da Silva merece ser analisada à luz de sua longa carreira sindical e política, assim como das controvérsias e acusações que marcaram sua trajetória.

O eleitor não pode terceirizar sua responsabilidade. Não basta repetir aquilo que ouvimos nas redes sociais, nos discursos políticos ou nas campanhas eleitorais. É preciso pesquisar, comparar, questionar e, sobretudo, pensar. O voto é a arma democrática que temos para mudar os rumos do País. Mas essa arma somente terá força se for utilizada com consciência.

O Brasil não precisa de salvadores. Precisa de homens e mulheres preparados, honestos, competentes e comprometidos com o interesse público. Ainda existem candidatos ficha limpa. Existem pessoas com experiência, capacidade administrativa e disposição para servir ao País. Cabe a nós encontrá-las. Cabe a nós escolher.

Porque o futuro do Brasil não será decidido apenas pelos políticos. Será decidido por cada brasileiro que entrar em uma cabine de votação e compreender a responsabilidade que carrega nas mãos.

O Brasil é rico. O Brasil é grande. O Brasil tem potencial para ser uma das grandes nações do mundo. O que nos falta não é riqueza. Falta-nos, sobretudo, transformar essa riqueza em um projeto de Nação e escolher líderes à altura do País que podemos ser.

Borges da Silveira, ex-ministro da Saúde e ex-deputado federal

Brasil: um país abençoado, diante de um futuro que nos preocupa

O Brasil é, sem dúvida, um país privilegiado pela Natureza e por Deus. É uma nação continental, rica em água, minerais e terras férteis. Produz, em muitas regiões, duas ou até três safras agrícolas por ano, possui uma das maiores extensões de litoral do mundo e alimenta, por meio de suas exportações, milhões de pessoas em todos os continentes.

É também um país de encontros. Aqui convivem diferentes povos, culturas e tradições. Judeus e Árabes, Russos e Ucranianos, Italianos, Japoneses e tantos outros encontraram no Brasil um lugar para viver, trabalhar e construir suas histórias. Somos, inclusive, o país que abriga a maior comunidade japonesa fora do Japão e uma das maiores comunidades italianas fora da Itália. Essa extraordinária miscigenação fez do Brasil uma nação singular, plural e admirada em diferentes partes do mundo.

A riqueza que não se transforma em prosperidade

Mas o País que recebeu tantas bênçãos da Natureza parece, hoje, incapaz de transformar toda essa riqueza em prosperidade para sua própria população. A realidade brasileira é preocupante. Convive-se com uma das mais elevadas cargas tributárias, juros entre os maiores do mundo, corrupção em diferentes níveis da administração pública, desigualdade social persistente e uma crescente descrença nas instituições.

O Judiciário, para grande parte da população, perdeu credibilidade. O Congresso Nacional é frequentemente visto como um espaço onde interesses pessoais e partidários se sobrepõem aos verdadeiros interesses da sociedade. E as emendas parlamentares, que deveriam representar instrumentos de desenvolvimento e atendimento às necessidades dos municípios, tornaram-se alvo de questionamentos quanto à sua transparência e utilização.

Enquanto isso, empresas fecham as portas, outras recorrem à recuperação judicial e milhões de brasileiros continuam enfrentando dificuldades para sobreviver com dignidade.

Diante desse cenário, a perspectiva para 2027 não é animadora. As eleições de 2026 deveriam representar uma oportunidade de renovação, esperança e reconstrução. Entretanto, o quadro político que se desenha até o momento não permite muito otimismo.

A renovação da Câmara dos Deputados, por exemplo, poderá ser pequena. O sistema de distribuição das emendas parlamentares criou uma relação de dependência entre parlamentares e administrações municipais, fazendo com que muitos prefeitos mantenham compromissos com os atuais Deputados. Isso dificulta a entrada de novos nomes e reduz a possibilidade de uma verdadeira renovação política.

Os próprios partidos parecem, muitas vezes, mais preocupados em eleger bancadas numerosas para ampliar sua participação no Fundo Partidário do que em apresentar ao eleitor projetos consistentes para o futuro do País.

O voto consciente e a busca por um estadista

E chegamos ao ponto mais delicado: a escolha de quem deverá governar o Brasil. Os nomes que hoje polarizam a disputa presidencial apresentam altos índices de rejeição e carregam consigo histórias políticas marcadas por profundas controvérsias. A sociedade permanece dividida, muitas vezes votando mais contra alguém do que propriamente a favor de um projeto de País. Foi isso, em grande medida, que ocorreu em 2018, quando Jair Bolsonaro conseguiu construir sua candidatura como uma alternativa ao chamado “anti-Lula”.

Mas o Brasil não pode continuar escolhendo seus Presidentes apenas pelo sentimento de rejeição a alguém. Precisamos escolher pelo que queremos construir.

O Brasil necessita de um Presidente íntegro, com autoridade moral, preparo administrativo e compromisso verdadeiro com a democracia. Um líder capaz de compreender que o desenvolvimento econômico não é um fim em si mesmo, mas um instrumento para promover justiça social, oportunidades e dignidade.

Precisamos de alguém que não roube e que não permita roubar. Que respeite as instituições, mas que também tenha coragem para corrigir seus erros. Que saiba dialogar, pacificar e unir uma sociedade cansada de confrontos. Precisamos, enfim, de um estadista.

Não podemos avaliar um candidato apenas por seus discursos. É preciso conhecer sua trajetória, seus princípios, suas realizações e também aqueles que caminham ao seu lado. No grupo político ligado a Jair Bolsonaro, por exemplo, diversos integrantes de sua própria família ocupam ou disputam cargos públicos em diferentes Estados. Da mesma forma, a trajetória política de Luiz Inácio Lula da Silva merece ser analisada à luz de sua longa carreira sindical e política, assim como das controvérsias e acusações que marcaram sua trajetória.

O eleitor não pode terceirizar sua responsabilidade. Não basta repetir aquilo que ouvimos nas redes sociais, nos discursos políticos ou nas campanhas eleitorais. É preciso pesquisar, comparar, questionar e, sobretudo, pensar. O voto é a arma democrática que temos para mudar os rumos do País. Mas essa arma somente terá força se for utilizada com consciência.

O Brasil não precisa de salvadores. Precisa de homens e mulheres preparados, honestos, competentes e comprometidos com o interesse público. Ainda existem candidatos ficha limpa. Existem pessoas com experiência, capacidade administrativa e disposição para servir ao País. Cabe a nós encontrá-las. Cabe a nós escolher.

Porque o futuro do Brasil não será decidido apenas pelos políticos. Será decidido por cada brasileiro que entrar em uma cabine de votação e compreender a responsabilidade que carrega nas mãos.

O Brasil é rico. O Brasil é grande. O Brasil tem potencial para ser uma das grandes nações do mundo. O que nos falta não é riqueza. Falta-nos, sobretudo, transformar essa riqueza em um projeto de Nação e escolher líderes à altura do País que podemos ser.

Um país abençoado

Borges da Silveira, ex-ministro da Saúde e ex-deputado federal

Leia também: Editorial Conampe: Juros altos e gestão pública

Siga o nosso Instagram: @conampe2